quarta-feira, 2 de julho de 2008

Caixa de banco deve ter isolamento

O autor do projeto de lei, o vereador Paulo Frote (PSDB), decidiu criar a exigência de atendimento reservado depois que um de seus funcionários foi assaltado na saída de uma agência. “Quando ele saiu, na calçada, uma moto encostou e sabiam onde estava o dinheiro”, lembra. “A forma (dos assaltos relâmpagos) nos leva a crer que são pessoas que ficam na fila de espera dos caixas, observando o tipo de operação.”

O vereador desconhece o número de agências na capital e o custo da medida para os bancos. A legislação aprovada na Câmara Municipal e sancionada pelo prefeito Beto Richa não especifica como o bloqueio visual deverá ser feito. Os caixas eletrônicos não estão na abrangência da lei. Frote acredita que, como nestes locais há um limite de saque em dinheiro, o risco é menor.

Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, Otávio Dias, o atendimento reservado irá atiçar ainda mais os ladrões. “O marginal sabe quem vai fazer transação em espécie”, afirma. Dias também critica o fato de a legislação não exigir dispositivos nos caixas eletrônicos, um dos locais mais inseguros nas agências, segundo ele. O sindicalista sugere o aumento do número de funcionários, para o atendimento mais rápido, e segurança no entorno das agências.

O pesquisador Cléber da Silva Lopes, doutorando em Segurança Privada na Universidade de São Paulo (USP), considera a lei oportuna, mas acha que as medidas de segurança não devem se limitar a isso. “Os criminosos são capazes de montar estratégias diferentes”, diz. Ele defende o monitoramento da eficácia da lei, por meio da produção de estatísticas. “Isso (estatísticas) não há no Paraná” diz. “O Paraná, apesar da percepção clara de que tinha aumentado (o número de assaltos), não tinha estatísticas confiáveis sobre esse tipo de crime.”

Sanções

Passados os três meses para adequação, as agências ficam sujeitas a multa diária de R$ 200. Havendo reincidência, a multa é aplicada em dobro, até o limite de R$ 25,6 mil. Após atingido o limite, a agência bancária ou posto de atendimento terá o alvará de funcionamento cassado.

Os bancos prometem se adequar. O HSBC informa, por meio da assessoria de imprensa, que tomará as medidas necessárias para a adaptação e para o cumprimento da nova lei. O Banco do Brasil está avaliando a implicação da lei. O Itaú está analisando o assunto. O Bradesco informa que as agências já estão adaptadas à norma legal.

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