quarta-feira, 25 de junho de 2008

Falta de UTIs para crianças no interior sobrecarrega hospitais de Curitiba

Quem precisa internar seu filho menor de 12 anos numa unidade de terapia intensiva (UTI) tem uma preocupação a mais no Paraná: encontrar vaga disponível entre as 339 existentes em 20 municípios. Para quem acha que o número é pequeno, ele já foi menor no passado. Em 2007 eram 297 leitos. Curitiba, com 98 UTIs para criançãs, é a cidade que concentra o maior número de vagas na rede pública. O município paga o ônus por possuir a maior estrutura: pacientes do interior foram responsáveis por 56% das diárias pagas pela prefeitura.

A diretora do Centro de Controle, Avaliação e Auditoria da Secretaria de Saúde de Curitiba, Ana Paula Penteado, confirma que a demanda por leitos para crianças é maior que a procura para adultos. No ano passado, 45% das UTIs para adultos foram usadas por pacientes que não moram na capital.

Até o fim do ano, PR terá 200 novos leitos, entre eles 40 neonatais
O secretário estadual de Saúde, Gilberto Martin, que inaugurou ontem 10 leitos pediátricos na UTI do Hospital da Criança de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, convocou todos os municípios interessados, e que disponham de hospitais com estrutura e recursos humanos, a se candidatarem aos 200 leitos de UTI para crianças que serão instalados até o fim do ano. Entre eles há previsão de abertura de 40 leitos neonatais.

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A centralização dos internamentos em Curitiba denuncia a falta de leitos no interior. “Vemos que na prática faltam leitos no interior porque os hospitais de Curitiba estão sobrecarregados”, reforça Gislaine Souza Nieto, do departamento de neonatologia da Sociedade Paranaense de Pediatria. Segundo ela, os médicos da capital têm que aguardar a liberação de vagas para seus pacientes “de mãos atadas”.

O atendimento intensivo infantil é dividido em UTIs neonatais (para bebês de até 28 dias) e pediátricos (para crianças de até 12 anos). Hoje, dos 1.219 leitos de UTI no Paraná, 213 são neonatais e 126 pediátricos. A rede pública em Curitiba dispõe de 54 leitos neonatais e 44 pediátricos. No restante do Estado, há hospitais habilitados em Campina Grande do Sul, Campo Largo, São José dos Pinhais, Ponta Grossa, Irati, União da Vitória, Guarapuava, Pato Branco, Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu, Cascavel, Toledo, Campo Mourão, Umuarama, Maringá, Apucarana, Londrina, Cornélio Procópio e Ivaiporã.

Centralização

O secretário estadual da Saúde, Gilberto Martin, analisa que a distribuição desigual de leitos de UTIs para crianças no Estado se deve a dois fatores: a falta de investimentos em governos anteriores e o pacto dos gestores da saúde para centralizar os atendimentos na capital, que possui hospitais de referência.

Ana Paula, da prefeitura de Curitiba, defende a descentralização de leitos para evitar transtornos às famílias que precisam se deslocar de cidades distantes para ter acesso ao atendimento na capital. O superintendente do Sistema de Saúde da secretaria estadual, Irvando Carula, informa que a descentralização também é um interesse do governo estadual, mas que Curitiba dispõe de recursos federais e estaduais para concentrar a demanda reprimida do interior

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